sábado, 25 de junho de 2016

Se você não é capaz de perdoar, leia este texto!

Odeio todos os clichês relacionados a perdoar.
Conheço cada provérbio, cada dica, cada história bonitinha e todo senso comum. Já tentei entender o tema numa infinidade de livros. Li todas as publicações em blogs falando de deixar de lado a ira. Anotei frases de Buda, sei todas de memória, mas nenhuma delas funcionou pra mim. Sei que a distância entre decidir perdoar e ter paz de espírito muitas vezes é insuperável. Sim, sei!

O perdão é uma selva impenetrável para aqueles que buscam justiça. Dói a simples ideia de que alguém fique impune depois de ter feito o que fez. Não queremos manter nossas mãos limpas; os rastros de dor daqueles que nos ofenderam nos satisfariam mais. Queremos empatar. Que sintam o que sentimos!

Perdoar a alguém e como trair-se. Afinal, você não quer se render na luta pela justiça. A fúria arde por dentro e lhe envenena. Você sabe que não pode simplesmente deixar como está. A ira se transforma em parte de você, como coração, cérebro, pulmões. Conheço essa sensação. Sei como se sente quando a ira percorre suas veias no ritmo de seu coração.

No entanto, isso é o que queremos recordar sobre a ira: ela é uma emoção instrumental. Nos irritamos porque queremos justiça. Porque pensamos que, quanto mais irritados estejamos, mais podemos mudar o estado de coisas. A ira não entende que o que é passado já passou e o dano está feito. Ela tenta te convencer de que a vingança corrigirá tudo.

Estar furioso é como estar cortando uma ferida que sangram acreditando que, dessa forma, você evitará o surgimento de uma cicatriz. Como se a pessoa que o machucou chegasse a fechar a ferida de tal forma que não reste qualquer marca. A verdade sobre a ira é só uma: quando você a estimula, nega o tratamento para a cura. Você tem medo porque, quando a ferida finalmente se fechar, você terá de conviver consigo mesmo numa pele desconhecida.

Mas você simplesmente não aceita isso; quer a pele anterior. É quando a ira lhe diz que é melhor seguir sangrando.

Quando você ferve por dentro, o perdão se torna impossível. Você até gostaria de perdoar porque sua mente já tem claro que é o mais saudável a se fazer. Vai lhe trazer paz. Você quer se libertar. Mas, ao final, você não consegue fazer nada consigo mesmo.

Porque ninguém lhe disse a verdade mais importante a respeito do perdão: ele não corrige nem muda nada. Você não possui uma ‘borracha’ interna, capaz de apagar tudo que lhe acontece. E, claro, o perdão não é essa borracha. Não cancelará a dor com a qual você convive e tampouco lhe dará um estado de paz instantâneo. Buscar a paz interior é um longo caminho. E o perdão só lhe ajuda a evitar uma ‘desidratação’ nesse caminho.

O perdão significa não ter esperança em um passado distinto. Ou seja, compreender que tudo já passou, que a poeira assentou e o que aconteceu de ruim nunca voltará a ser como era. É aceitar que nenhum tipo de magia poderá reparar o dano. Mesmo que o furacão tenha sido totalmente injusto, você ainda terá de viver numa cidade destruída e sua fúria e sua ira não poderão repará-la. O perdão significa somente que você estará assumindo a responsabilidade, não pela destruição, mas pela restauração. É a decisão que lhe devolverá a serenidade.

O perdão não significa que a culpa de seus agressores está nivelada. Não quer dizer que você tem de ser amigo ou simpatizante de quem o lastimou. Simplesmente aceite que lhe deixaram uma marca e que agora terá de conviver com ela. O perdão é a decisão de começar a curar as feridas sem se importar que haverá cicatrizes depois. O perdão não é o triunfo da injustiça; se trata de criar sua própria justiça, seu próprio karma e seu próprio destino. Significa que as cicatrizes deixadas não determinarão seu futuro.

O perdão não significa que você se rendeu. Significa que está disposto a reunir forças para seguir em frente…

Fonte do texto: Thoughtcatalog.com - Tradução e adaptação: Incrível.Club - via: http://www.sentimentosemfrases.com/se-voce-nao-e-capaz-de-perdoar-leia-este-texto/