sexta-feira, 26 de agosto de 2016

OLHANDO PARA FRENTE!

... Nossa mente é na verdade o que habita em nós. Ao mesmo tempo que posso estar fisicamente em um paraíso e não estar feliz porque estou deprimida, também posso estar debaixo de chuva numa rua desabitada e me sentir em paz.

Quando tudo à nossa volta parece não estar indo bem, como focar os pensamentos em algo bom? O frio está judiando..., levantar cedo se tornou cruel, o chuveiro não esquenta, o trânsito não dá trégua, o dia demora a passar e a noite chega rápida e gelada, nos impedindo de sair de casa. Nos pegamos contando as horas para o fim de semana chegar. E quando finalmente chega, passa como um relâmpago.

Como se sentir bem, quando a lista do que está incomodando parece ser maior do que aquilo que agrada? Reflito e busco uma reposta para mim mesma, para fugir de um emaranhado de pensamentos negativos que me levarão a lugar nenhum.

O inverno chegou cedo e com ele uma gama de lembranças negativas sobre o que já vivenciei em minha vida com o clima frio. Além das dificuldades geradas no agora, ainda sinto o “cheiro” de um passado me chamando. E talvez eu não seja a única. Para quem não gosta do clima, sentir o frio na pele todos os dias pode significar sensações bastante ruins.

Mas mesmo em meio ao caos do inverno, já que ao menos eu o vejo assim, procuro olhar para a frente. Para o momento em que sair da cama não seja uma tortura e uma caminhada no parque durante a noite seja novamente possível e prazeroso. Escuto músicas que tocam a minha alma e o meu ânimo de alguma forma e me imagino lá na frente.

Está certo que isto não faz cessar o frio, o trânsito, a falta de tempo ou qualquer falta que eu esteja vivenciando. Porém, melhora o meu estado de espírito. Me devolve o ânimo e a certeza de que tudo na vida passa. Agora está ruim, mas já já melhora. Se não me esforço em fugir dos pensamentos sobre o que me desagrada, me vejo tomada por tudo que é ruim no momento. E então “por dentro” fica ruim.

Muitas vezes me pego em conversas onde algumas pessoas estão reclamando de algo. Com uma facilidade desconcertante e quase que automática, eu me transporto para outro lugar. A partir do momento em que o que está dentro de mim é melhor do que está fora, minha mente se torna minha própria válvula de escape.

Nossa mente é na verdade o que habita em nós. Ao mesmo tempo que posso estar fisicamente em um paraíso e não estar feliz porque estou deprimida, também posso estar debaixo de chuva numa rua desabitada e me sentir em paz.

Não é fácil ser feliz quando estamos vivenciando uma fase ruim. Porém a vida é e sempre será um e ir e vir de altos e baixos. Não temos o poder de freiar a vida quando uma fase boa cessa e uma ruim começa. O único poder que possuímos e devemos adquirir é o de controlar as nossas próprias emoções através dos pensamentos, para que na hora da descida, o frio na barriga não seja um susto, mas uma emoção com o aprendizado que chega. Nem que esta lição seja lidar com a lentidão e desânimo do inverno.

Entre o levantar da cama e o sair do chuveiro com o frio que me corta a alma, escuto meus próprios risos entre frases sarcásticas que pronuncio para mim mesma, evitando o negativismo do instante momento.

Uma música, um bichinho de estimação, uma boa conversa ao telefone com quem se ama, algumas atitudes podem ajudar. Mas o que mais conta é sempre onde mantemos o foco. Se não está bom agora, de jeito nenhum, de qualquer perspectiva, então olho para frente. Já já chega!

Fonte do texto: escrito por Carolina Vila Nova - via: http://lounge.obviousmag.org/reading_terapia/2016/06/olhando-para-frente.html