segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

FELIZES OU NÃO, TEMOS QUE FAZER O NOSSO MELHOR

 Mas apesar de toda esta visão brutal sobre a vida , acredito fielmente e profundamente que temos o dever sim de tornar a nossa existência , a nossa efêmera passagem pelo mundo o mais magnífica e brilhante possível. Temos sim o dever de celebrarmos a vida , comemorar as menores conquistas , dar amor sem parcimônia , roubar sorrisos nos lábios e nos olhos , encher de calor a vida daqueles que passam por nós mesmo que brevemente.

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Entendendo a vida ou não, a gente precisa continuar vivendo. Aceitando ou não o mundo e as pessoas como elas são, temos que seguir em frente. Gostando ou não, a vida nos foi dada e tudo o que nos resta, é fazer o nosso melhor , sendo feliz ou não.

Tudo que nos resta é viver da melhor forma possível apesar dos pesares , apesar de todas as nossas lacunas, apesar de todos os buracos negros que carregamos na alma , de todas as fraturas expostas , de todas as faturas altas que precisamos pagar. Apesar de todas aquelas cicatrizes invisíveis , mas nem por isso menos feias ou profundas.
 Somos lançados no mundo e tudo o que nos resta é viver mesmo sem compreender o sentido da vida, mesmo revoltando-se com algum possível sentido que imaginamos. As leis não foram feitas por nós e somos obrigados a segui-las.

Somos obrigados a adoecer, a envelhecer , a morrer…muito pior do que morrer. Somos obrigados a ver quem amamos morrer. Muitas vezes com altas doses de sofrimento. Vemos quem amamos despedaçar o coração e nada podemos fazer além de oferecer um pífio conforto por meio de palavras vagas e abraços cheios de calor. E quem nos ama profundamente também pouco pode fazer por nós quando somos arremessados ao mais intolerável tormento.

Somos obrigados a morrer dia a dia …vemos sonhos se despetalando como flores murchas. Vemos o sol das nossas fantasias se apagando num horizonte triste. Muitas vezes, ficamos tristes sem nem ao menos saber o porquê.

Sim, não acredito que a vida seja boa. Não acredito num otimismo que desconsidera a miséria da condição humana. Não acredito que o mundo seja bom. A essência da vida é perder e por mais feliz que seja uma existência , ela é carregada de dor. Também não creio que possamos realmente falar sobre moralidade enquanto tantas pessoas vivem em condições sub-humanas, sem o mínimo necessário para sobreviver. Não dá para falar sobre a beleza do mundo enquanto pessoas morrem de frio e fome nas ruas, enquanto pessoas morrem de frio na alma em quartos luxuosos.

Mas apesar de toda esta visão brutal sobre a vida , acredito fielmente e profundamente que temos o dever sim de tornar a nossa existência , a nossa efêmera passagem pelo mundo o mais magnífica e brilhante possível. Temos sim o dever de celebrarmos a vida , comemorar as menores conquistas , dar amor sem parcimônia , roubar sorrisos nos lábios e nos olhos , encher de calor a vida daqueles que passam por nós mesmo que brevemente.
 Temos sim o dever de nos comprometermos com os nossos sentimentos. Temos sim o dever de nos comprometermos para sermos bons, justos , carinhosos , caridosos. E se a dor é inevitável, que aproveitemos ao máximo os momentos alegres e coloridos, que sorvamos até a última gota os vinhos doces que a vida nos oferece. Que saibamos nos deixar levar languidamente pelas melodias envolventes , pelos aromas delicados , pelas emoções sublimes ou devastadoras.

Que saibamos viver cada dia memorável como a mais exuberante oferta , sem medo de ser feliz, sem medo de despencar nos abismos das múltiplas possibilidades. Que saibamos sentir o amor sem ressalvas e expressar o que sentimos sem meias palavras conduzidas por meias verdades.

Não compreender , não aceitar , não gostar não podem servir de pretextos para deixarmos de viver plenamente cada uma das nossas mais eloquentes emoções.

Fonte do texto: escrito por Silvia Marques no site: https://osegredo.com.br/2016/07/felizes-ou-nao-temos-que-fazer-o-nosso-melhor/