segunda-feira, 13 de março de 2017

PARE AGORA MESMO DE PEDIR DESCULPAS!

 Quero te convidar para fazer uma observação: quantas vezes por dia você usa a palavra “desculpas”? Posso te dizer que, em você sendo mulher, provavelmente muito mais vezes do que percebe, e principalmente, do que seria necessário.

Me peguei dia desses, jantando com uma amiga, expressando algumas questões e sentimentos que andava vivendo, e depois de uns bons 10 minutos falando direto, pedi desculpas porque achava que não estava fazendo sentido lógico o que eu estava expressando.

Quantas vezes minhas clientes e pessoas com quem interajo me pedem desculpas por chorarem na minha frente, por compartilharem suas histórias tristes ou indignadas, por “gastarem” meu tempo ouvindo-as, por não terem feito algo “de acordo com as expectativas” ou alcançado determinada meta que a gente mesma inventou.

Os outros esbarram na gente, e nós quem pedimos desculpas. Colocamos nossa opinião em uma reunião e depois pedimos desculpas. Reagimos a uma circunstância que nos despertam um sentimento forte e pedimos desculpas. Fazemos pedidos de coisas que precisamos ou queremos para depois pedir desculpas.
Percebe o padrão aí? Estamos constantemente pedindo
desculpas por existir e por ser mulher, e por ser humana! É claro que existem situações em que realmente pisamos na bola e usar a palavrão na intenção de redimir nosso comportamento inadequado. Porém, esse pedir desculpas quase onipresente nos diz de algo muito mais profundo. Um sentimento de inadequação que nos persegue, muitas vezes desde muito pequenas.
Veja bem como muitas de nós fomos treinadas a vida inteira para não incomodar, para não chamar atenção, para não “causar”, para ser uma boa menina, para ser comportada, para fazer somente o que é esperado e adequado, para todo mundo gostar da gente, para, inclusive, julgar as outras mulheres que não seguem esses padrões, até mesmo oferecendo conselhos para essas descontroladas e sendo exemplo de comportamento para as mais novas.

Por favor, por favor, não deixe de gostar de mim porque de alguma forma eu possa ter incomodado o seu dia com a minha existência!

Estou deliberadamente pintando esse cenário com tintas fortes porque esse se desculpar constante é um comportamento sutil tão entranhado no nosso inconsciente, que alguém pode até achar que estou exagerando. Só que esse tipo de comportamento repetitivo limita muito a nossa existência.

Mas vamos parar para pensar: quando pedi desculpas para a minha amiga porque eu pensava a estar incomodando com minha falação “sem sentido”, eu estava mostrando para que, primeiro, não era importante para mim mesma o que eu estava dizendo; Segundo, que é um desperdício do tempo dela me ouvir; Terceiro, que a lógica é mais importante que sentimentos; Quarto, que eu desvalorizei a inteligência dela e a empatia dela para comigo; Quinto, posso continuar a lista de como treinamos as pessoas da nossa vida a nos desconsiderar todas as vezes que pedimos desculpas simplesmente por sermos quem somos e ocupar o espaço que ocupamos e expressar o que é importante para nós.

Percebe que ao repetir de novo e de novo esse tipo de comportamento nas nossas interações com a várias pessoas da nossa vida damos permissão para elas não considerarem nossas necessidades e desejos? Que, na verdade, construímos esse comportamento a partir de uma programação inconsciente da infância (e que reforçamos a vida inteira) de que nossas necessidades e desejos não merecem nem a nossa própria atenção? Que assim vamos passando uma existência onde continuamos a sentir necessidades e desejos, e que assim que eles se manifestam de alguma forma, tentamos calar suas vozes, muitas vezes usando comida, bebida, TV e outras formas de “anestesia”, outras vezes se manifestando como doenças físicas e mentais, na maior parte do tempo matando nossos sonhos?
Olha só quanto perdemos na vida perpetuando esse comportamento automático! Vamos combinar então de começar a quebrar esse padrão autodestrutivo sabotador de comportamento? Só de começar a nos observarmos quando pedimos desculpas fora de contexto já vai ser um grande ganho. E nós também podemos começar a não pedir desculpas quando fazemos as seguintes coisas:

  • Dizer não (inclusive sem precisar dar razões e porquês)
  • Escolher cuidar de si mesma primeiro
  • Tomar decisões que pensamos ser a melhor, e que desafiam as convenções
  • Fazer planos sem pedir opinião de ninguém
  • Ser confortável no próprio corpo e com a própria sexualidade
  • Ter opiniões e expressá-las de modo firme e decisivo
  • Querer mais da vida
  • Ocupar espaço
  • Pedir por mudança de comportamento das pessoas quando esses são inadequados para o contexto ou quando fere emocionalmente
  • Qualquer outro comportamento que tiver (que não agredir outra pessoa).
-Texto escrito por Melissa Setubal  originalmente publicado no Superela