O fósforo e a vela

Dizem que certo dia, um palito de fósforo disse à vela:

– Vela, tenho a missão de acender-te.
...

– Oh, não. Se me acenderes, meus dias estarão contados. Jamais ninguém poderá ver a beleza da minha forma e da minha cor. O que será de mim?” – respondeu, assustada.

O fósforo então, confuso com a resposta, perguntou à apavorada vela:

– É isso o que desejas? Queres permanecer o resto de tua vida fria, dura e sem ser acesa?

– Mas ser acesa, arder? Isso dói e consome minha força. – murmurou a vela, lamentando-se, cheia de medo.

– Tens razão. Mas esse é o mistério de tua vida e de tua nobre missão. Tu e eu fomos criados para ser luz. O que posso fazer, como fósforo é muito pouco. Mas ao passar meu fogo para ti, cumpro o sentido de minha vida. Fizeram-me exatamente para isso: acender o fogo. Tu, por sua vez, és vela. Tua missão é irradiar luz. Enquanto te consomes, tua dor e tua energia se transformarão em luz e calor, e por isso, necessitamos de ti. Não iremos, jamais, esquecer-te. Outras velas levarão adiante a luz, mas se tu recusares, morrerás e serás esquecida.

A vela, nesse instante da conversa, abriu os olhos amplamente e apontando firmemente para o seu pavio, disse ao fósforo, ainda que tremendo:

– Por favor, acende-me.

"Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5:14-16)

Extraído do livro "As mais belas parábolas de todos os tempos".