Tempos de Ouro

 No tempo dos meus avós, a evolução científica andava a passos de tartaruga. O homem não se preocupava tanto em entender e transformar seu espaço, seu mundo, como nos dias de hoje.

Seu esforço era voltado para valores internos e que, à época, eram imprescindíveis e o maior capital social. " - Pois é, dona Fulana, na nossa época não era assim!", afirmou dona Sicrana. Quem nunca ouv
iu esse tipo de diálogo - e/ou afirmação - não vai entender porque as obras da mão do homem fizeram evoluir apenas o seu espaço material, enquanto sua essência ficou aquém da necessária evolução.

O homem fez evoluir tanto o seu mundo, que modificou até o que não precisa... E como consequência, ganhou o grande déficit no seu valor moral. E a cada evolução adquirida, conquista-se o regresso do homem “evoluído”. E porque não dizer: dominamos o mundo e modificamos seu espaço. Porém, perdemo-nos nesse mesmo mundo e nos damos conta de que nada disso nos fez/faz felizes.

Dizem por aí que tudo isso é para melhoria da qualidade de vida das pessoas. Mas, o disparate desse discurso é que a espécie humana nunca esteve tão doente, em todos os aspectos. Nos tempos dos meus avós, amor e felicidade eram tão comuns que a ausência deles causava estranhamento. Hoje, quem os tem passa pelo mesmo estranhamento. A questão não é o que se tem, mas sim o que se tinha; não o que se conquistou, mas sim o que se perdeu.

Mas, afinal, o que perdemos diante de tantas conquistas? Se você não tem a resposta, é porque você ainda não sentiu falta. E quando perceber a falta, vai se perguntar onde estão muitas coisas. Por que algumas coisas como “amor” e “felicidade” são realidades apenas nos longas-metragens e best-sellers da indústria cultural? Será que elementos tão próprios do animal racional servirão apenas como lembranças de um passado desejoso?

A questão é onde estamos buscando algumas dessas coisas, e onde depositamos e concentramos as expectativas sobre essas e outras realidades que continuam sendo nossas, não apenas de uma era passada. Nos tempos dos meus avós, elas existiam na íntegra e com fervor. O tempo dos meus avós foi logo ali, não tão longínquo...

Ainda dá tempo de voltar atrás e resgatar os "tempos de ouro” da verdadeira evolução da espécie humana! Mas isso só será possível se deixarmos de lado o imediatismo, a “pressa” que o mundo contemporâneo nos impõe, e nos veste de uma falsa obrigação de sempre ter mais e melhor.

Quem caminha lentamente aproveita melhor o ambiente, a paisagem e tudo o que ela tem a proporcionar. Em contrapartida, quem corre tende à queda e à perda de grandes emoções ao longo do caminho. O importante não é o tempo decorrido, mas a chegada com um importante acúmulo de boas lembranças.

O tempo dos meus avós não volta! Mas os valores e sinceros anseios daquele tempo não morreram lá atrás! Eles apenas adormeceram no mundo que, hoje, deturpa nossas verdadeiras necessidades.


-Autor desconhecido